A Economia Colaborativa

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A revolução do ter e do poder: como a economia colaborativa tem modificado essa relação

A sociedade de hoje está vivendo o que se pode chamar de momento encruzilhada, quando é preciso definir qual o caminho a seguir e saber que, em cada uma das escolhas, existirão consequências, sejam elas boas ou ruins.  As relações comerciais evoluíram e os sistemas de produção revolucionaram a forma de pensar o “ter” e o “poder”. De fato, desde as grandes navegações na Europa, quando eram percorridas imensas extensões territoriais em busca do “ter”, a necessidade de descobrir novas rotas comerciais provocou profundas mudanças no cenário geopolítico, econômico e social do Velho Mundo.

Em tempos atuais, é preciso também repensar o “calcanhar de Aquiles” da civilização moderna e atentar que a forma das pessoas se relacionarem com as coisas têm de ser modificadas em prol de um bem maior: a Terra. É neste ponto que vem despontando um termo em franca consolidação nas relações comerciais: a economia colaborativa ou o capitalismo consciente, como alguns denominam. Os princípios emanados dessa nova forma de pensar a economia têm influenciado várias cadeias produtivas e de investimentos e criado soluções antes pouco pensadas ou debatidas.

Ao lançar um olhar mais detidamente sobre a economia colaborativa pode-se vislumbrar uma verdade inexorável: tudo na vida é cíclico. E o movimento manifestado atualmente nada mais é do que uma prática ancestral, antecedente ao feudalismo, que se chama escambo, onde a troca comercial não envolvia moeda ou objeto. Como a humanidade vive em um sistema integrado, está claro que mudanças macro como essas têm um impacto profundo nas relações comerciais e até mesmo na forma como os estudiosos sempre pensaram a economia. Mas, todo esse movimento não trafega na contramão da base capitalista?

O colunista americano Thomas Friedman resumiu muito bem, em 2008, qual seria a dinâmica do mercado: “tanto a mãe natureza quanto o mercado chegaram a um limite e declararam que o modelo hiperconsumista em vigência não era mais sustentável”.

Hoje, questões como o desequilíbrio ambiental, recessão global, redes sociais e tecnologias, além da redefinição de comunidade, estão conduzindo a humanidade a um novo norte em comum, assim como nas grandes navegações citadas no início deste artigo. Quando um modelo de vida começa a se extinguir, outro novo vai surgindo… e o da vez se chama economia colaborativa. Mas, então, o que seria propriamente isso?

A economia colaborativa, compartilhada ou em rede nada mais é do que a conscientização da humanidade sobre esse novo modelo de mundo, onde a divisão substitui o acúmulo. É uma tomada de consciência sobre o “ter”, não mais puramente para a exibição de um status financeiro. Ou seja, as pessoas hoje têm o propósito maior de compartilhar o que têm, seja um táxi – o Uber é um exemplo clássico -; casa (moradias compartilhadas, as chamadas coliving); espaço de trabalho, através dos coworking, e ainda troca de serviços e até produtos (livros, CDs, etc.).

Ao terminar este artigo é importante suscitar uma reflexão sobre as mudanças e adequações que o capitalismo vem passando, desde a Revolução Industrial. A ordem das coisas é que tudo está em movimento e em constante transformação. E são essas transformações que possibilitam o verdadeiro aprimoramento das relações. É preciso entender que no Universo não existe nada estático, nem tampouco os seres humanos. Por isso, a importância de estar sempre em sintonia com tudo que acontece, acompanhando e adequando essas mudanças no seu dia a dia. É preciso olhar isso e se apoderar dessa nova dinâmica, navegando com a mesma determinação dos primórdios em busca de melhores soluções e uma delas atende pelo nome de economia colaborativa.

Por: Verônica M. de Oliveira - Jornalista
www.linkedin.com/in/veronicadeoliveira

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