Que tal desmistificar a Economia Criativa?

Pergunte a uma criança o que ela quer ser quando crescer e você vai ter uma resposta muito mais baseada na imaginação do que em qualquer outra coisa. Nunca vi uma criança querendo ser advogado ou engenheiro, mas astronauta e desenhista, várias. Algumas crianças cresceram e encontraram um emprego “de verdade”. Outras não cresceram e trabalham com seus sonhos. E quando digo que trabalham, quero dizer que ganham dinheiro e pagam suas contas. Esse é o caso de quem trabalha com a Economia Criativa, um dos setores mais estáveis da atualidade, mesmo em épocas de crise.

Economia Criativa?

artista de jogos

Se você ainda tem dúvida sobre o conceito de Economia Criativa, John Howkins definiu no seu livro The Creative Economy como as atividades as quais a matéria-prima é a criatividade, o capital intelectual e a inovação. O Ministério da Cultura brasileiro considera vinte setores como parte da Economia Criativa – arquitetura, gastronomia, design, cultura popular, turismo cultural, publicidade, tevê, rádio, moda, música, artes visuais, artes cênicas, literatura e mercado editorial, animação, audiovisual, games e software aplicado à economia criativa, entretenimento, eventos e artesanato. De acordo com o Sebrae, são mais de dois milhões de empresas que geram R$ 110 bilhões, o equivalente a 2,7% do PIB brasileiro.

Criatividade muda o mundo?

ipod minimalista

Vou lhe contar uma breve história. Um dia, um chefe que tinha fama de ser exigente e grosseiro, um tal de Steve Jobs, falou que queria criar um aparelho que tocasse música e listou suas exigências: tinha que ser leve, caber no bolso, tela de touch etc. Quando seus funcionários apresentaram os protótipos, ele descartou todos, menos um e disse que aquele estava bom, mas tinha que ficar menor. Disseram que aquele era o menor possível. O tal chefe grosseiro pegou o protótipo, jogou no aquário da sala e disse: “Está vendo essas bolhas saindo dele? Tem ar dentro. Então pode ficar menor.” Depois disso, o iPod foi inventado, um aparelho que era medido em milímetros e pesado em gramas, mas que influenciou uma geração de consumidores e foi a base para diversas mercadorias que temos hoje.

Como saber se sou criativo?

Homem-Aranha Jason Ratliff

Para que serve uma cadeira? Sentar, obviamente. Mas quantas outras funções você pode dar a uma cadeira? Esse é um teste de criatividade. Uma pessoa criativa pode dar cerca de cinco utilidades a qualquer objeto mundano, enquanto a maioria das pessoas consegue cerca de dois. Criatividade é pensar fora da caixa, é encontrar formas novas de fazer o antigo. Vivemos em uma era em que a maioria dos filmes usam efeitos digitais do início ao fim, mas o filme que ganhou mais Oscars em 2015 foi Mad Max: Estrada da Fúria, que usou muito mais efeitos práticos e se tornou uma obra-prima moderna – enquanto muitos achavam que efeitos práticos estavam ultrapassados. Inventar uma cor que ninguém viu ainda ou um sabor que nenhum paladar experimentou é virtualmente impossível, mas podemos dar novas utilidades e recriar o mundo ao nosso redor. Existem outras formas de testar e até de aprimorar a criatividade, falarei mais disso em breve. A propósito, a cadeira também serve para te ajudar a alcançar algo no alto, como uma lâmpada ou uma prateleira, ou como mesinha de centro improvisada para apoiar uma bandeja de aperitivos, ou até para queimá-la para se aquecer, construir um castelo imaginário numa brincadeira, ou como arma em uma briga de bar. Você com certeza já viu uma cadeira sendo usada para tudo isso, nem que tenha sido na televisão.

Posso trabalhar com economia criativa?

inovação

Tem um cara aqui do meu lado chamado Bruno. Ele é de marketing e está trabalhando diretamente com Economia Criativa pela primeira vez. Além de fazer o que ele já sabe fazer, como pesquisar clientes para a nossa agência e bolar estratégias para atingir nossos clientes, ele mergulhou de cabeça em todos os assuntos que ainda não conhecia. No almoço, sempre conversamos e trocamos figurinhas sobre o que posso aprender com ele e o que posso ensiná-lo. No domingo passado, jogamos RPG com o pessoal para descontrair e socializar – foi a primeira vez desse cidadão de 38 anos, que nem fazia ideia que isso existia. E ele está pensando fora da caixa. Quando precisamos de um cartaz para recrutar funcionários, ele logo viu que as ideias tradicionais não teriam o mesmo impacto e passou a pesquisar exemplos dentro da Cultura Pop, mais ligada aos nossos clientes. Estou dizendo isso tudo porque o Bruno começou na prática, fazendo ao mesmo tempo em que aprendia, pesquisando e executando quase que simultaneamente. Não existe uma resposta definida para “como começar”. A maioria começa com um projeto próprio para servir de “case” e portfólio, para mostrar que sabe o que faz e para estudar e melhorar ao mesmo tempo. Quem canta, posta vídeo no YouTube e story no Instagram. Quem é de design, cria portfólio online. Quem faz artesanato, posta fotos em todos os cantos que a internet permite. Fazendo da maneira certa, a Economia Criativa é uma opção muito melhor do que um “emprego tradicional”. Mas “como fazer” é um assunto que vamos desenvolver nos próximos artigos.

Esse artigo foi relevante para você? Discorda de algo dito? Quer saber mais de algum tema citado? Solta o verbo nos comentários para que eu conheça você melhor e escreva um artigo ainda mais útil para a sua carreira!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s