O jogo virou no mundo do trabalho

O que está acontecendo com o mundo do trabalho

Muita coisa mudou no mundo do trabalho nos últimos anos. Assistimos empresas repensando suas políticas, mudando seu dress code, permitindo funcionários trabalharem em home-office por um período, entre outras ações. Mas ainda há muito a ser modificado para acompanhar os novos anseios de profissionais que agora estão hiperconectados, vivendo em um mundo cujos valores estão mudando. Com acesso a tanta informação as comparações se tornam inevitáveis e somado a este cenário temos as novas gerações chegando ao mercado de trabalho. Muitos já não trabalham mais apenas pensando em dinheiro (como era mais característico nas gerações anteriores). E, acredite, eles trocam muito mais fácil de empresa.

Os motivos para deixar o emprego têm sido vários. Nem mesmo a preocupação com a situação econômica do país tem sido suficiente para barrar o movimento desses profissionais insatisfeitos. Eu mesma sou uma dessas profissionais que tinha um emprego bom, benefícios, férias, mas que preferiu pedir demissão para ter mais flexibilidade e trabalhar por um propósito. E conheço dezenas de pessoas que fizeram ou estão prestes a fazer o mesmo.

O que os dados sugerem

Um estudo divulgado pelo ADP Research Institute trouxe à tona revelações valiosas com a pesquisa Evolution of Work 2.0, que entrevistou 5.330 colaboradores e 3.218 empregadores distribuídos em 13 países (empresas com mais de 50 funcionários). Um dos pontos que me chamou a atenção foi ler que 66% da força de trabalho do Brasil não sente segurança profissional e que outros 63% sentem o impacto do atual contexto político de sua região.

turnover nas empresas também vem apresentando altos índices. Na pesquisa, pode ser visto que 51% dos brasileiros acreditam que deveriam deixar suas atuais empresas para ganharem mais e apenas 24% dos funcionários se mantém na mesma companhia por três anos ou mais.

Dados da pesquisa EVOLUTION OF WORK 2.0 DO ADP RESEARCH INSTITUTE

Já em países mais desenvolvidos, como nos Estados Unidos, o índice de desemprego é menor, mas a saída das pessoas também tem sido frequente. Por lá, 27% dos profissionais mudam de emprego anualmente e 46% concordam com um novo posto que paga igual ou até menos do que ganhavam.

E o mais curioso é que os empregadores estão totalmente cientes de que seus colaboradores estão procurando por emprego ou de que mudariam para outra companhia se um dia forem contatados. Mas eles subestimam o número de pessoas que estão realmente fazendo isso: até mesmo entre aqueles empregados que dizem que não estão “ativamente” em busca de algo, 42% entre os 13 países pesquisados disseram que estão abertos a tal possibilidade. Os gestores, entretanto, preveem que apenas 21% da sua força de trabalho se sentem dessa maneira. (Globalmente, 66% dos empregados estão ativamente procurando por emprego ou aptos a mudarem, enquanto empregadores consideram que esse índice seja de 58%).

Outro dado interessante da pesquisa é que funcionários que recebem mais feedbacks ou são reconhecidos por seu desempenho, tendem a permanecer mais tempo na empresa. E, falando em feedback, os brasileiros são os mais receptivos em recebê-los, afirmando que este ato faria uma enorme diferença em suas equipes, algo que parece simples, mas que pelo visto não vem acontecendo com frequência nas empresas.

Dados da pesquisa EVOLUTION OF WORK 2.0 DO ADP RESEARCH INSTITUTE

Um mercado em completa transformação

Mais do que nunca estamos vivendo um período de mudanças. Ainda este ano entram em vigor as novas regras da Reforma Trabalhista e, em janeiro de 2018, o programa de unificação de dados do Governo Federal, o eSocial, tem início.

Mas as mudanças não param por aí, porque as empresas agora recebem, cada vez mais, uma nova geração, os Millenials.

Esta geração cresceu com tecnologia e acostumada a um novo nível de acesso a informação. Eles obviamente pensam diferente e anseiam coisas diferentes para suas carreiras. Mas na maioria das vezes se deparam com empresas que não conseguem entendê-los, quem dirá, cativá-los.

E como revelou a pesquisa Evolution of Work 2.0, ainda que departamentos de RH tenham abraçado a habilidade de pesquisar internacionalmente pelos melhores talentos, eles ainda custam a entender a necessidade de cada um de seus empregados e garantir que, uma vez contratadas, pessoas consigam contribuir com seu máximo.

O Instituto identificou no último ano cinco tendências abrangentes que estão direcionando transformações globais nos ambientes de trabalho:

1.   O desejo dos colaboradores por maiores chances e flexibilidade;

2.   Acesso a aprendizado em real-time;

3.   Aumento de autonomia;

4.   Senso de estabilidade;

5.   A habilidade de trabalhar em projetos com significados pessoais.

Esse report expande o trabalho ao mensurar como empregados e empregadores classificam a variedade do esforço do gerenciamento de talentos. Isso oferece um olhar dentro da mente de trabalhadores e de seus superiores para compreender o que cada grupo valoriza e o que pensam que acham um do outro.

Quando o assunto é entrevista de emprego, por exemplo, a dinâmica de uso de e-mail mudou: apenas 37% dos jovens com idade entre 18 e 26 anos gostam de usá-lo durante o processo. Já entre os mais velhos, com idades entre 27 e 35, para 49% é uma questão tranquila. Este ponto certamente reflete a questão da tecnologia, visto que a nova geração é ainda mais globalizada e conectada e que a linha que separa a vida pessoal da profissional se tornou ainda mais tênue.

Além disso, como as tecnologias avançaram e muitas dinâmicas de trabalho foram modificadas, a tendência é que a flexibilização do trabalho aumente em algumas funções, visto que o acesso a um e-mail ou smartphone, não importa de que lugar, pode resolver a questão.

Outra característica da nova geração que vai pegar muita empresa desprevenida é que eles prezam pelas companhias mais colaborativas e que permitem mais liberdade, flexibilidade e dinamismo. Muito destes jovens já tem um perfil empreendedor (ou intraempreendedor) e um desejo de rapidamente crescer na carreira. Eles são protagonistas da sua própria carreira e estão muito mais preocupados em trabalhar em empresas inovadoras do que em companhias de renome.

Para Mariane Guerra, vice-presidente de Recursos Humanos para América Latina da ADP, as empresas precisam se enquadrar nessa nova rotina. De acordo com ela, “as empresas estão começando a olhar para isso agora, mas não estão 100% focadas e as corporações que souberem se adaptar a essas mudanças vão conseguir atrair e reter mais talentos”.

A imposição de regras precisará ser cada vez mais repensada também, pois cada vez mais se percebe que os indivíduos são únicos e que forçá-los a se encaixar a um horário fixo para tomar café da tarde, por exemplo, pode desfavorecer a criatividade e a produtividade. E até mesmo o uso de redes sociais deverá ser repensado, porque essa geração já nasceu digital e está conectada o tempo todo, se o ambiente de trabalho parecer algo completamente estranho, não vai funcionar bem. O caminho é negociar e incentivar o bom senso e ter em mente que é preciso se reinventar, ainda que seja pouco a pouco.

Como as empresas podem acompanhar essas transformações

O que fica claro é que todas estas mudanças clamam por uma ação dos departamentos de RH das empresas. É preciso ter em mente que é tempo de mudar, que o futuro do trabalho já começou.

É claro que mexer com estruturas já consolidadas não é simples, trata-se de um desafio, mas é preciso tentar. O estudo Evolution of Work 2.0 aponta também que “enquanto empregadores geralmente sabem quais são os principais elementos para atrair novos funcionários, criar um ambiente no qual o foco seja a boa experiência e a progressão profissional são pontos-chave para a manutenção dos talentos já contratados”. De acordo com o estudo, entre todas as mensurações envolvendo o gerenciamento de talentos, há uma lacuna consistente entre como empregadores se classificam e como seus colaboradores consideram os esforços de suas companhias, com uma maior divisão no planejamento de carreira – uma necessidade chave para a força de trabalho global. Pesquisando entre esses perfis, os dados sugerem que mudanças são improváveis de acontecerem organicamente de qualquer um dos lados. Em vez disso, os profissionais de RH podem ter papel intervencionista para provocá-las.

No estudo foi apontado que funcionários têm mais chance de ficar sabendo sobre oportunidades de trabalho fora de suas companhias do que no próprio lugar no qual atuam. No Brasil, esse índice chega aos 56%, ou seja, um dado alarmante, afinal, se esse colaborador sentir que quem está fora tem oportunidade e ele não, certamente ficará frustrado.

De modo geral há aspectos que as empresas precisam urgentemente considerar e talvez o mais importante deles tenha a ver com a “humanização”, a preocupação com o bem-estar e o desenvolvimento de suas equipes, porque são elas que mantém os negócios em funcionamento. Apesar de parecer óbvio e até estranho falar disso, a verdade é que em muitas empresas este cenário está longe de acontecer. Os gestores precisam aprender a preservar um bom nível de empatia e motivação e focar cada vez mais nas pessoas e suas perspectivas. Certamente são medidas que contribuirão para a retenção de talentos, diminuindo o turnover, aumentando a satisfação e estando mais preparado para receber as novas gerações.


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