Storytelling no agronegócio

Um momento curioso da semana:
Estava num restaurante com amigos e um deles comentou com o garçom que só queria carne se fosse Angus. Outro amigo ficou curioso, perguntou se dava para notar alguma diferença. Entramos em uma conversa que tem muito a ver com a aplicação do Storytelling no agronegócio.

Mas antes de falar disso, vale uma explicação sobre percepção. Daria para escrever um livro sobre isso, mas vou arriscar ser direto ao ponto. O fato é que nada por si só tem valor. Um diamante nada mais é do que um mineral. Só é caro porque todos resolvemos concordar que o mineral diamante é mais valioso do que o mineral ametista ou o minério de ferro. A questão é: por que decidimos dessa forma?

Alguns podem dizer que é pela raridade do material. Mas se for seguir por essa lógica, então o cupim deveria ser um dos cortes mais caros de um boi. Já que um abate rende 2kg de cupim e 10kg de alcatra, por exemplo.

Então pode ter a ver com o fato de que dependendo da região do animal, a característica da carne muda. Nesse caso, por que um presunto espanhol Pata Negra custa dez vezes mais do que o presunto nacional? Afinal, ambos são feitos do pernil do porco.

Podemos ser levados a pensar que a variação de preço é devida ao processo de fabricação, muito diferente nos dois casos. Mas como fica o caso do vinho? Afinal, com ingredientes e processos semelhantes, a variação de preço entre vinhos pode ser duzentas vezes maior.

Storytelling ajuda a responder todos esses questionamentos: atribuímos valor às coisas (e até mesmo às pessoas) de acordo com as histórias que nos contam sobre elas. Tem vezes que a história pode estar focada em processo de produção, tem vezes que a história gira em torno das características da matéria-prima… já catalogamos 20 diferentes tipos de histórias que as marcas e os mercadores nos contam. Tem vezes que uma história é combinada com outra, formando um enredo com essas histórias, um commodity assume um patamar de valor diferenciado.

No mundo do agronegócio, uma das histórias mais marcantes é a de denominação de origem controlada. Algo que só pode levar aquele nome se for produzido numa determinada região. Por exemplo a champagne, que pra ser champagne, tem que ser feito na região francesa de Champagne. Para não ficar para trás, outras regiões de outros países inventam variações… a Itália por exemplo tem o Lambrusco na região de Emilia Romagna e o Prosecco na região do Vêneto. Nesse caso, não é apenas uma mudança de nome, mas o tipo de uva é diferente de um para o outro. O mesmo acontece com os queijos gorgonzola na Itália e roquefort na França.

A mesma coisa acontece com o vinho do Porto. A variação espanhola é o Jerez, palavra que deu origem à variação inglesa Cherry.

Moral da História: se você trabalha com agronegócio, busque uma história que torne o seu produto mais específico. Produtores, por exemplo, podem se articular para conseguir o selo DOC para algum produto típico de sua região. Outra possibilidade seria inovar no processo e explicar pras pessoas a diferença que isso faz no produto final. É exatamente isso que fazem os autores de filmes, livros e seriados: as jornadas de um herói são muito semelhantes, mas os autores sempre buscam um jeito de criar as histórias e os personagens com algo inédito com relação a tudo o que já foi contado.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/storytelling-agronegócio-fernando-palacios

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