Mundo 3.0

Mudanças de mídia na história demoram, mas são recorrentes. E tudo que é recorrente necessita de teoria para analisar causas, consequências e comparações entre os diferentes fenômenos no tempo.

Podemos dizer, assim, turbinados pela Antropologia Cognitiva, de que a atual Revolução Cognitiva Digital tem duas fases:

a mais incremental ou radical, que é a atualização do aparato tecnológico de comunicação e informação, que permite a sofisticação das linguagens existentes – a digitalização do que já existe;
e a mais disruptiva: a partir dessas mudanças, o surgimento de nova linguagem.
As mudanças que estamos vivenciando hoje com mais intensidade é a digitalização das linguagens existentes: gestos, oralidade e escrita para o meio digital.

Todos os olhares se voltam para essa, sem dúvida, pois já está bem avançada. Porém, a grande novidade não é essa, mas a chegada da Quarta Linguagem humana, dos cliques e ícones.

Por quê?

O modelo de qualquer administração de qualquer espécie viva e social é baseada no gerenciamento e controle de processos. Tal modelo tem como objetivo principal manter espécies vivas, evitando que haja escassez.

Todos os animais, bem ou mal, tem modus operandi que estabelece um triângulo entre tamanho do bando, administração do mesmo e modelos de comunicação existentes.

Todo modelo de administração é baseado em determinada linguagem de comunicação e informação que permite que as trocas sejam feitas entre os membros de qualquer espécie.

No caso do Sapiens, as linguagens de trocas avançam no tempo, se modificam e permitem que alteremos o Modelo de Administração.

Nossas linguagens, diferente dos outros animais, não são genéticas, mas Tecnoculturais.

Para que possamos sofisticar o Modelo de Administração, é preciso que tenhamos nova linguagem para proceder o gerenciamento e controle de forma a não haver escassez.

Até a chegada da Quarta Linguagem, todo o modelo administrativo necessitava de gestor que tinha o objetivo de processar as linguagens existentes: gestos, oralidade e escrita e, a partir disso, decidir.

Tal administrador esbarrava nos limites possíveis da quantidade de dados que chegava, no limite da sua capacidade de receber, pensar e decidir.

Podemos dizer que o aumento demográfico tornou as atuais linguagens humanas obsoletas, pois se aumentamos a quantidade de dados a serem processados, começamos a ver os gestores cada vez menos capazes de decidir.

E por isso tivemos a necessidade de criar uma nova linguagem e, com ela, o novo modelo de administração.

Na Quarta Linguagem muito mais gente pode apontar as suas necessidades, avaliações, desejos e se atendido, sem que isso gere um caos econômico, pois apenas clica.

Quando falamos da segunda fase da Revolução Digital, assim, não falamos mais de digitalização, que foi a primeira, mas de Uberização, quando vamos iniciar, de forma massiva, o processo, para valer, de alteração do modelo administrativo.

Na uberização, uma quantidade muito maior de pessoas pode interferir nos processos, pois podemos dispensar o antigo administrador de carne e osso (gestor).

E colocamos no lugar um curador, que vai passar a controlar e gerenciar processos, via inteligência artificial.

Na Digitalização, melhoramos as linguagens que existiam, mas mantivemos a antigo modelo administrativo, com os administradores de carne e osso, no que chamamos de Gestão;
Na Uberização, criamos nova linguagem e novo modelo administrativo, com a chegada de inteligência artificial, que podemos chamar de Curadoria.
O novo administrador não é mais alguém que controla processos diretamente. Ele transfere o poder para o cidadão/consumidor, que, munido de aparelhos que permite a prática da nova linguagem, abastece Agentes Artificiais para que tomem decisões melhores.

Os Agentes Artificiais recebem os inputs dos cliques e consegue, de forma dinâmica, compreender, como nunca, o real desejo e interesse do cidadão/consumidor.

A Quarta Linguagem viabiliza, assim o surgimento do Terceiro Modelo de Administração do Sapiens: o pré-oral, o oral e agora o pós-oral.

Pela primeira vez, começamos a sair do modelo dominante das espécies mamíferas, que necessita de líderes-alfas para tomar decisões. E adentramos no mundo da tomada de decisões ao estilo dos insetos, em redes muito mais complexas, com demanda-oferta feita de forma muito mais distribuída e descentralizada.

Nosso grande problema é que tal mudança Macro-Histórica disruptiva tem ocorrido de forma muito veloz e ainda não é compreendida na sua completa dimensão por 99% dos estudiosos dos fenômenos sociais.

As organizações não têm ferramentas para entender e agir, o que está criando verdadeiro fosso entre o Mundo 2.0 e o 3.0.

O resultado da falta de compreensão da Revolução Digital é medo, inação, resistência, cegueira, infantilização e irracionalidade que muitas vezes pode descambar para a violência política, na tentativa de preservar o antigo modelo, mesmo que seja obsoleto.

O exemplo mais gritante da falta de compreensão da Revolução Digital na política é o movimento radical dos taxistas anti-Uber e similares, o estado islâmico e mesmo o bolivarianismo na América Latina, que sugerem um retorno para um mundo pré-medieval.

As pessoas querem destruir algo que não entendem pela falta completa de capacidade de enxergar a semente do novo mundo que brota.

Na área de negócios, vemos grandes empresas tomando atitude completamente infantis e irracionais diante da Revolução Digital, mesmo com perdas graduais e acentuada de valor de mercado. Querem fingir que se ficarem debaixo da cama, a bruxa 3.0 vai sumir num passe de mágica.

Não, não vai a Bruxa 3.0, com a sua vassoura da quarta linguagem, veio para ficar!

Por: Carlos Nepomuceno
http://www.nepo.com.br

A Economia Colaborativa

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A revolução do ter e do poder: como a economia colaborativa tem modificado essa relação

A sociedade de hoje está vivendo o que se pode chamar de momento encruzilhada, quando é preciso definir qual o caminho a seguir e saber que, em cada uma das escolhas, existirão consequências, sejam elas boas ou ruins.  As relações comerciais evoluíram e os sistemas de produção revolucionaram a forma de pensar o “ter” e o “poder”. De fato, desde as grandes navegações na Europa, quando eram percorridas imensas extensões territoriais em busca do “ter”, a necessidade de descobrir novas rotas comerciais provocou profundas mudanças no cenário geopolítico, econômico e social do Velho Mundo.

Em tempos atuais, é preciso também repensar o “calcanhar de Aquiles” da civilização moderna e atentar que a forma das pessoas se relacionarem com as coisas têm de ser modificadas em prol de um bem maior: a Terra. É neste ponto que vem despontando um termo em franca consolidação nas relações comerciais: a economia colaborativa ou o capitalismo consciente, como alguns denominam. Os princípios emanados dessa nova forma de pensar a economia têm influenciado várias cadeias produtivas e de investimentos e criado soluções antes pouco pensadas ou debatidas.

Ao lançar um olhar mais detidamente sobre a economia colaborativa pode-se vislumbrar uma verdade inexorável: tudo na vida é cíclico. E o movimento manifestado atualmente nada mais é do que uma prática ancestral, antecedente ao feudalismo, que se chama escambo, onde a troca comercial não envolvia moeda ou objeto. Como a humanidade vive em um sistema integrado, está claro que mudanças macro como essas têm um impacto profundo nas relações comerciais e até mesmo na forma como os estudiosos sempre pensaram a economia. Mas, todo esse movimento não trafega na contramão da base capitalista?

O colunista americano Thomas Friedman resumiu muito bem, em 2008, qual seria a dinâmica do mercado: “tanto a mãe natureza quanto o mercado chegaram a um limite e declararam que o modelo hiperconsumista em vigência não era mais sustentável”.

Hoje, questões como o desequilíbrio ambiental, recessão global, redes sociais e tecnologias, além da redefinição de comunidade, estão conduzindo a humanidade a um novo norte em comum, assim como nas grandes navegações citadas no início deste artigo. Quando um modelo de vida começa a se extinguir, outro novo vai surgindo… e o da vez se chama economia colaborativa. Mas, então, o que seria propriamente isso?

A economia colaborativa, compartilhada ou em rede nada mais é do que a conscientização da humanidade sobre esse novo modelo de mundo, onde a divisão substitui o acúmulo. É uma tomada de consciência sobre o “ter”, não mais puramente para a exibição de um status financeiro. Ou seja, as pessoas hoje têm o propósito maior de compartilhar o que têm, seja um táxi – o Uber é um exemplo clássico -; casa (moradias compartilhadas, as chamadas coliving); espaço de trabalho, através dos coworking, e ainda troca de serviços e até produtos (livros, CDs, etc.).

Ao terminar este artigo é importante suscitar uma reflexão sobre as mudanças e adequações que o capitalismo vem passando, desde a Revolução Industrial. A ordem das coisas é que tudo está em movimento e em constante transformação. E são essas transformações que possibilitam o verdadeiro aprimoramento das relações. É preciso entender que no Universo não existe nada estático, nem tampouco os seres humanos. Por isso, a importância de estar sempre em sintonia com tudo que acontece, acompanhando e adequando essas mudanças no seu dia a dia. É preciso olhar isso e se apoderar dessa nova dinâmica, navegando com a mesma determinação dos primórdios em busca de melhores soluções e uma delas atende pelo nome de economia colaborativa.

Por: Verônica M. de Oliveira - Jornalista
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O poder do FOCO

foco

Todo início do ano as pessoas se apegam a promessas e juras do que farão de diferente no novo ciclo de 365 dias que se inicia. Há os que enxergam a sua existência como etapas que se iniciam e se findam, sempre permeadas por alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, saúde ou doença e vida e morte. Mas, o que gostaria mesmo de destacar não são as expectativas, às vezes um tanto quanto mirabolantes e até pueris, que afloram nas pessoas nessa época do ano, mas sim o valor do tempo na vida de cada um. Isso logicamente é digno de atenção e de uma bela reflexão sobre o que cada um tem feito com suas horas ao longo dos anos.

Para os que acreditam que viver não é um status estacionário e que tudo – mas, tudo mesmo – está em constante transformação, é preciso sempre parar e pensar: o que eu faço com o meu tempo? Você já refletiu sobre a relevância dele nos resultados adquiridos ao longo da sua vida? Também pensou que é importante haver um equilíbrio em todas as áreas? Seja ela profissional, pessoal, sentimental, emocional ou financeira? Ou seja, não adianta trabalhar muito, sem cuidar da saúde física e mental, ou mais ainda da financeira. O que pode ser dito, categoricamente, é que todo ser humano tem na construção do seu “eu” emoções, sentimentos e experiências que o fazem reagir de modo diferenciado em relação aos fatos da vida. Nesse aspecto, é a qualidade do tempo empregado que definirá quem ele será no futuro.

Entretanto, para olhar o futuro, é preciso ter foco no presente! Na realidade, falar em tempo presente é algo um tanto quanto etéreo, pois, daqui a uma fração de segundos, o agora já virou passado e o futuro já se instalou definitivamente; em outra fração de segundo, já é passado de novo.

Mas, por que exatamente falar sobre isso? Porque para maximizar esse tão mal fadado tempo ao qual nos referimos é preciso ter foco nas metas que se deseja cumprir ao longo do ano.

Mas, para isso, são necessários dois itens fundamentais no planejamento do tempo: a organização e a disciplina. As metas devem ser traçadas no papel e cumpridas uma a uma, com celeridade e confiança. E o tempo? Não perca tempo a olhar para o relógio, siga as suas metas, com confiança!

Uma dica interessante é que essas metas sejam traçadas em três estágios: curto, médio e no longo prazo. É claro que nada precisa ser tão rígido, mas faz-se necessária a criação de um roteiro de prioridades. E, acima de tudo, concentrado nos objetivos que deseja colocar em prática. Quando fixa sua atenção naquilo a que se propõe realizar existe uma conjugação de forças e nenhum momento é desperdiçado. No entanto, os anseios do mundo moderno muitas vezes impõem que várias tarefas sejam cumpridas ao mesmo tempo, mas o importante é perceber que cada coisa deve ser realizada no seu tempo. Se você não consegue seguir a linha de ação traçada, a tendência é que os objetivos se percam no meio do caminho. E daí você pensa que no início do ano fixou metas para cumpri-las, não é mesmo?

A questão é que, a despeito de todas as afirmações sobre o tempo, tais como, a da mudança na rotação da Terra como agente influenciador das horas, a verdade é que cada um é senhor do seu destino. Alguns chamam de livre arbítrio, outros de poder de escolha. O importante é entender que o foco é um fator preponderante e que nada é rígido e estático. Sempre existe a possibilidade de mudar o rumo e escolher um novo caminho, mediante qualquer necessidade. Porém, o que não se pode perder é a essência do viver! Para amealhar grandes experiências é preciso, antes de mais nada, coragem e determinação para enfrentar todos os desafios e entender que, em alguns momentos, estamos suscetíveis às falhas naturais de todo e qualquer ser humano.  Afinal, quem nunca ouviu falar o famoso clichê de que “só erra quem trabalha?”. Pois bem, muitas vezes é necessário vivenciar o erro para entender o verdadeiro valor do acerto.

Então, se você é daquelas pessoas que no início do ano faz sempre planos para o que irá desenvolver de ações ao longo do mesmo, pense muito mais no valor das suas horas. São elas que definirão o seu sucesso ou fracasso. Lembre-se o tempo é implacável e não adianta ficar contando os ponteiros do relógio e ficar aflito com o seu ritmo frenético. O importante é estar atento e com foco em resultados. Faça isso e você verá um mundo de possibilidades que se abrirá para você!  Carpe Diem!

Por: Verônica M. de Oliveira - Jornalista
www.linkedin.com/in/veronicadeoliveira